Gestão Quantitativa

A Murano Investimentos utiliza a abordagem quantitativa ou sistemática no seu processo de investimentos. A utilização de modelos matemáticos, estatísticos e de modelos de inteligência artificial está presente desde a identificação de padrões e geração de sinais ou oportunidades de investimentos até a construção de portfólio, incluindo também a execução de ordens que são baseadas nas previsões da dinâmica das cotações de ordens de compra e venda monitoradas em tempo real.

A abordagem quantitativa aplica o método científico ao processo de investimentos oferecendo um produto desprovido de potenciais vieses comportamentais, como apego às posições ou comportamento de manada. Diferente dos fundos discricionários ou fundamentalistas, normalmente baseados em portfólios relativamente concentrados e com poucas apostas por ano, os fundos quantitativos normalmente se baseiam numa quantidade enorme de dados históricos que suportam, preferencialmente, várias estratégias descorrelacionadas entre si aplicadas em um grande número de ativos.
O princípio básico de um fundo quantitativo é que pequenas distorções detectadas nos dados históricos irão se repetir no futuro. Para realizar o ganho advindo dessas pequenas vantagens, utilizam a estatística e as leis dos grandes números a seu favor.
É como se tivéssemos uma moeda que, ao invés de ter chances iguais de cair cara ou coroa, tivesse uma probabilidade maior de cair em uma das faces. Digamos que essa vantagem fosse de 52% contra 48% e tivéssemos R$ 1 milhão para investir. Uma única aposta seria muito arriscada e, provavelmente, negada pela maioria dos investidores. Mas, se pudéssemos diminuir o valor do investimento individual e repetir a mesma aposta um número alto de vezes, quase todos provavelmente aceitariam a oportunidade uma vez que a chance de capitalizar a vantagem de 4% por jogo seria bastante alta.
Os fundos quantitativos utilizam um mecanismo semelhante para monetizar as vantagens de seus modelos se baseando numa grande variedade de ativos e estratégias descorrelacionadas entre si, como se estivessem jogando várias moedas em paralelo melhorando suas chances de sucesso. O resultado desse processo é um fluxo de retornos naturalmente descorrelacionado dos fundos tradicionais e, dado o pequeno tamanho dos fundos quantitativos no Brasil, uma excelente fonte de diversificação de carteiras.

Apesar do papel fundamental do uso da tecnologia e modelos de inteligência artificial para analisar a enorme quantidade de informações relacionadas a um número muito grande de ativos, é importante frisar que a visão estereotipada de um fundo caixa-preta gerenciado por robôs alardeada por muitos não corresponde à realidade.
Uma equipe de gestão composta por profissionais altamente capacitados com vasta experiência na aplicação de algoritmos ao processo de investimentos é o que faz a diferença num fundo quantitativo. É a equipe de gestão que cuidadosamente seleciona as variáveis importantes para cada aplicação e elabora o desenho detalhado de todas as regras que serão utilizadas na aplicação sistemática do processo de investimento, evitando armadilhas comuns como “overfiting” e “datamining”. Também é papel dos gestores a adição de novas estratégias, assim como o monitoramento e aperfeiçoamento contínuo das estratégias existentes e a decisão de uma eventual suspensão de algumas quando há uma mudança estrutural que afete as premissas utilizadas inicialmente.

A principal vantagem dos fundos quantitativos em geral está relacionada à sua baixa correlação com os outros ativos e o impacto positivo que essa característica traz ao portfólio dos investidores. Processos facilmente escaláveis, que podem ser replicados em diferentes mercados, permitem aos fundos sistemáticos tomar posições relativamente pequenas em inúmeros ativos, atingindo potencialmente uma melhor diversificação e controle de risco.
Alguns fundos quantitativos, como o Murano, além de serem descorrelacionados dos demais fundos, também têm como característica a tendência de apresentar retornos positivos em momentos de stress para os demais fundos multimercados, reduzindo o risco de perdas sincronizadas em uma eventual virada de mercado – como ocorreu nos eventos do senador Delcídio do Amaral, na eleição do presidente americano Donald Trump, na delação da JBS no evento dos caminhoneiros em 2018 ou na começo da pandemia em 2020. Essas características tornam esse tipo de fundo ideal para balancear portfólios.

Fundos quantitativos não são todos iguais nem fazem todos a mesma coisa. Essa é mais uma das afirmações equivocadas geralmente feitas a respeito de fundos quantitativos. Processos e projetos diferentes levam a portfólios e retornos distintos. Por exemplo, enquanto alguns fundos quantitativos como o Murano FIC FIM se beneficiam de ambientes mais voláteis e tendem a ganhar mais quando o resto da indústria sofre, outras estratégias sistemáticas se comportam de maneira oposta. O fato de dois fundos utilizarem a abordagem sistemática não implica necessariamente numa alta correlação entre os mesmos. Estudos focados no mercado externo mostram que a correlação entre sistemáticos é similar à encontrada entre discricionários. Entre os multimercados brasileiros, a correlação entre os fundos quantitativos é menor.
Ao selecionar um fundo para diversificar um portfólio, vale checar sua matriz de correlação e seu comportamento em crises anteriores. Isso não quer dizer que um fundo quantitativo que não possua as características ideais para a diversificação não deva ser utilizado. Ao fazer essa análise, o investidor notará que alguns deles têm um bom desempenho e, mesmo sendo mais correlacionados com o resto da indústria, podem ser considerados como alternativas atraentes a tradicionais fundos discricionários na composição de portfólios. Da mesma forma, alguns fundos discricionários podem ser mais descorrelacionados que outros quantitativos.

Apesar da clara vantagem dos fundos quantitativos com relação aos benefícios da descorrelação, gestores discricionários também possuem suas vantagens específicas, incluindo a habilidade de também utilizar informações que não são facilmente quantificáveis e a interpretação subjetiva de possíveis cenários futuros. Nesse caso, os fundos quantitativos agem de forma indireta, seja capturando tendências nos preços provocadas pela projeção do mercado, ou pela interpretação de dados de pesquisa de sentimento ou projeções. O alto potencial de retorno de portfólios altamente concentrados também pode ser adequado a investidores que compartilhem a mesma visão e tenham um perfil de risco compatível.

Apesar das diferenças entre as abordagens na maneira em que utilizam as informações para construírem seus portfólios, ambas podem trazer seus benefícios ao investidor. Os gestores discricionários, através de apostas concentradas, podem criar oportunidades de alto retorno ou buscar o consenso existente no mercado, enquanto alguns sistemáticos diversificados geram um potencial mais consistente de retornos no longo prazo. A vantagem de uma classe sobre a outra depende do período assim como dos fundos selecionados. De fato, estudos acadêmicos não indicam a superioridade de nenhuma classe sobre a outra. Pelo contrário, a evidência mais clara aponta na direção da complementariedade das duas abordagens. Apesar de oferecermos as vantagens de um processo escalável e transparente na geração de retornos descorrelacionados no longo prazo, acreditamos que os investidores que focarem na seleção de gestores de alta qualidade das duas abordagens para a composição de suas carteiras terão uma probabilidade maior de sucesso no longo prazo.

Além de ser um dos fundos mais descorrelacionados da indústria, o Murano FIC FIM também tem como característica a tendência de apresentar retornos positivos em momentos de stress, reduzindo o risco de perdas sincronizadas em uma eventual virada de mercado – como ocorreu recentemente na pandemia, nos eventos do senador Delcídio do Amaral em 2016 (risco positivo nesse caso), na delação da JBS ou no evento dos caminhoneiros em 2018. Essas características tornam esse tipo de fundo ideal para balancear portfólios.
Como podemos ver na figura abaixo, de abril de 2013 a junho de 2020, nenhum fundo da amostra rendeu tanto quanto o Murano FIC FIM nos 20% piores dias do IFMM. Nesse período, quando o investidor mais precisou dos benefícios de um portfólio diversificado, o Murano FIC FIM teve um retorno acumulado de 73%, superando significativamente todos os componentes do IFMM.

Figura 1: Retorno cumulativo dos 10 melhores fundos durante os 20% piores dias do IFMM. Abril de 2013 a 18 de junho de 2020. Fonte: Bloomberg e BTG Pactual

Ao adicionarmos um fundo que tende a subir quando a maioria dos outros componentes cai, melhoramos as métricas de performance da carteira. Numa simulação com os 10 maiores componentes do IFMM, por exemplo, a adição do Murano FIC FIM reduz a volatilidade, aumenta o retorno e o Sharpe, além de diminuir o drawdown (perda máxima) do portfólio.
Com relação à empresa, ainda podemos citar:

  • Foco exclusivo na gestão de fundos Quantitativos.
  • Histórico longo de mais de 10 anos de performance consistente.
  • Equipe com excelência acadêmica e profissional aliado à longa experiência de seus principais sócios na pesquisa, criação e gestão de estratégias quantitativas tanto no Brasil quanto no exterior.

A razão do Murano FIC FIM ser um dos fundos que historicamente mais rendem durante os piores dias da maioria dos outros fundos multimercados vem da sua relação com momentos de alta volatilidade. O fundo não é projetado para tomar posições contrárias às dos demais multimercados, mas tem como principal componente estratégias de seguimento de tendências de curto prazo que tendem a ter seus melhores retornos nos períodos mais voláteis do mercado. Como períodos de maior volatilidade, muitas vezes, coincidem com os piores momentos dos multimercados, o Murano FIC FIM acaba se destacando.
Na figura abaixo, podemos ver o contraste entre a rentabilidade do Murano FIC FIM e do IFMM – Índice de fundos multimercados do BTG Pactual – nos piores meses do IFMM desde 2013.

Figura 2 – IFMM piores meses. Retorno do mensal do Murano FIC FIM e do IFMMM (Índice de Fundos multimercados do BTG Pactual) de abril de 2013 a 18 de junho de 2020. Fontes: Bloomberg e BTG Pactual

Por ter estratégias de seguimento de tendência como parte relevante de seu portfólio, o Murano FIC FIM tem seus melhores retornos durante os períodos mais voláteis do mercado. Fung e Hsieh (2001) [1] consideram a estratégia de seguimento de tendência (trend-following) como um tipo de estratégia de opções em que o investidor compra simultaneamente opções de compra e venda se beneficiando da tendência de preços em ambas as direções. Como evidência, os autores classificam os retornos mensais de um índice global de ações em quintis e mostram que o retorno médio dos grandes fundos seguidores de tendências é maior nos 20% piores e nos 20% melhores meses do mesmo índice. Seguindo a mesma linha de raciocínio, é natural que os retornos do Murano FIC FIM também exibam um comportamento similar com relação à volatilidade dos mercados em que atua.

É importante ressaltar que, quando mencionamos nossa relação positiva com ambientes de alta volatilidade, estamos nos referindo a um comportamento médio. Diferente de uma estratégia de hedge direta, como uma compra de opção de venda ou venda de futuros de Ibovespa, que sempre irá proteger uma carteira caso haja um movimento na direção protegida, o Murano FIC FIM não subirá necessariamente em dias de alta volatilidade ou de queda para a maioria dos outros fundos.

Apesar do nosso destaque em ambientes de alta volatilidade e termos nossos melhores dias durante esses períodos, às vezes, podemos estar na posição contrária ao movimento de mercado ou mesmo alinhada com a maioria dos outros fundos, tendo dias de resultado negativo. Historicamente, entretanto, esse equilíbrio tende a nos ser mais favorável beneficiando nossos investidores em períodos agitados, como as eleições de 2014, processo de impeachment da Dilma, eleição do Trump, Joesley, caminhoneiros, eleições em 2018 ou a pandemia em 2020. Quanto maior a duração desses períodos de stress, maior esse viés a nosso favor.

[1] W. Fung and D. A. Hsieh. The risk in hedge fund strategies: Theory and evidence from trend followers. The Review of Financial Studies, 14(2):313, 2001.

O fundo é indicado principalmente para o investidor que busca diversificar sua carteira de investimentos no longo prazo. O Murano FIC FIM é um dos fundos mais descorrelacionados do mercado e também o que oferece melhor proteção nos momentos em que os multimercados macro mais sofrem.
No entanto, o investidor deve ter em mente que o Murano FIC FIM é um fundo mais arrojado que a média do mercado, com volatilidade alvo superior a 10% ao ano. Logo, indicamos o fundo apenas para aqueles que têm um horizonte de investimentos mais longo, de, no mínimo, 12 meses. Apesar da alta liquidez oferecida, se o investidor acredita que poderá precisar dos recursos alocados no curto prazo, recomendamos que o mesmo procure uma outra opção de investimento que não esteja sujeita às oscilações naturais de retorno do fundo.

O principal diferencial do Murano FIC FIM é a sua descorrelação com os outros ativos e a sua tendência de obter resultados positivos nos momentos mais difíceis dos multimercados tradicionais. Não há, no entanto, uma composição única que atenda a todos. A carteira ideal, no final, depende de uma série de fatores que variam de acordo com os objetivos individuais de cada investidor, de suas restrições, liquidez, situação fiscal, preferência por certos gestores e perfil de risco, por exemplo. Quaisquer que sejam esses fatores, dificilmente alguém não se beneficiará das vantagens da diversificação – apontada, frequentemente, como o “único almoço grátis disponível no mercado”. Simulações com as carteiras que recebemos dos nossos investidores indicam que a alocação no Murano FIC FIM, que minimiza a volatilidade, varia, em geral, de 10% a 20% da parte destinada a ativos de risco.